Marcos conheceu Bruna no verão de 2009. Tudo acontecia da maneira mais ingênua possível, conversas inocentes por um mero comunicador instantâneo na internet. Algo mais inocente que isso, difícil encontrar. Trocavam músicas, conversavam sobre tudo, mesmo que superficialmente.
"Está calor, imagino aí então", disse Marcos, que vivia em Curitiba. Já Bruna vivia no litoral paulista, Guarujá.
"Quer namorar comigo?", perguntou Marcos, sem deixar que Bruna contestasse seu comentário sobre o tempo.
"Que? Você está falando sério?"
Ele não tinha nenhuma noção do que havia perguntado e sequer sabia o por que de ter perguntado aquilo, não sabia o que estava fazendo, mas algo o levou a perguntar aquilo. Sem pestanejar, respondeu: "Claro!". Bruna, sem acreditar, se protege: "Você não está brincando com a minha cara, né?". Ele respondeu que não.
Aquilo não era um namoro, mas era. Eles nunca haviam se visto, mas Marcos percebeu que, após fazer a pergunta sem pensar, sentia algo muito forte por ela.
Tudo ficou mais bonito. Tudo ficou melhor. As conversas fluíam, se conheciam e um era feito para o outro. Dois dias depois, Bruna tinha uma festa para ir, não podia faltar.
Primeira madrugada em que Marcos passou sem conversar com ela desde que começavam o tal "namoro".
"Te traí", disse a garota. Ele não podia acreditar. Será real? Seria ela que estava brincando com seu sentimento? "Foi só um beijo, ele é meu amigo, não passa disso". Ele acreditou, mas não deixou barato. Ele também tinha uma festa para ir no outro final de semana e traiu Bruna, porém fez pior, nada contou a ela. Tudo continuou bonito, melhor impossível. Se conheciam mais e mais e tinham a certeza do que sentiam. Apesar da traição, Marcos jamais duvidou do que sentia pela jovem garota.
Chegou o grande momento. Ele se deslocava de Curitiba a São Paulo. Ela se deslocava do Guarujá a São Paulo. A ansiedade e o medo tomavam conta dos dois.
Depois de esperar horas por seu amigo na rodoviária, Marcos chegou à casa onde ficaria hospedado, sequer conseguia dormir. Naquela tarde conheceria a pessoa que mais amou. Bruna e Marcos ficavam horas no telefone poucas horas antes de se encontrar, revelando suas aflições e a tamanha alegria de finalmente olharem um no olho do outro.
Se encontrariam no Parque Municipal. Marcos foi com seu amigo e amigos de seu amigo. Tudo estava feito. O tempo imprevisível da capital paulista fechou.
Trovões, raios, cinza.
"Alô, Bruna? Estou na frente do Monumento. Onde te encontro?".
"No portão 8. Vem que vai começar a chover".
Marcos deu voltas e voltas e não encontrava a garota que tanto esperava. O que estaria acontecendo? Passava batido e não encontrava. Ele pediu informações.
"Boa tarde, onde fica o portão 8?"
"Oi gato? Daonde você é?" - disse um garoto um tanto afeminado.
"Do Paraná, por favor, onde fica o portão 8?", respondeu Marcos, com receio.
"Não vai lá não. Vamos dar uma volta?".
Marcos corria, sendo seguido pelo garoto afeminado. Começava a chover forte. Depois de dar inúmeras voltas, finalmente encontrou o portão onde daria de frente com Bruna.
"Oi", disse Marcos, retribuindo um beijo no rosto ainda tímido.
"Oi!", respondeu Bruna, acompanhada de alguns amigos, completamente solta e sem esboçar qualquer reação.
Ele queria ir ao shopping, Bruna queria continuar com seus amigos. "Ela não gostou de mim", pensou imediatamente. Depois de muita conversa, ele a convenceu a seguí-lo. No shopping, Marcos encontrou seus amigos e Bruna logo se enturmou, de fato, parecia que já se conheciam há tempos, um conhecia qualquer reação que o outro pudesse esboçar. Riram a toa, conversaram, tomaram Coca sem gás que tanto curtiam. Depois de horas juntos, cada um seguiu seu rumo e foram para suas casas. Ela estava hospedada em sua tia.
No outro dia, logo pela manhã já se encontrariam em uma estação de metrô. Lá se encontraram e passaram a andar pelas ruas de São Paulo, sem rumo. Trocaram seu primeiro beijo. Ela teve a iniciativa, ele se assustou, e teve a certeza de que a amava.
Daí se passaram longos 15 dias. O tempo passou rápido. Ele tinha que voltar à sua cidade para seus estudos, ela idem. Ele fazia faculdade, ela terminaria o ensino médio no próximo ano. Na manhã da despedida, ele já acordou chateado, triste, com um nó na garganta. Ela idem.
Se encontraram no início da noite e pegaram o ônibus em direção à rodoviária. Ele não falava nada. Apenas continha o choro. Ela tentava conversar. Ele apenas segurava a sua mão e curtia seus últimos momentos juntos em completo silêncio. Trocaram cartas, um com o perfume do outro, para não se esquecerem de tudo o que viveram. Tudo parecia um sonho. Conversaram enquanto esperavam o ônibus, que chegou. Se despediram, sentiam a pele na pele pela última vez. Ele disse a ela: "Eu mal vejo a hora de te ver sorrir novamente". Ela sorriu.
Ele mal saiu de São Paulo e Bruna já ligava pra ele. "Está tudo bem? Vou pegar meu ônibus daqui a pouco. Te amo", disse. Sua alegria era tamanha.
Chegaram às suas cidades, e lá voltaram cada um em sua rotina. Março chegou, e com ele, a tempestade. Ela pediu um tempo da relação.
O chão de Marcos desaparecía de seus pés. Ele havia deixado de lado seus amigos para viver um amor platônico. Ela parecia não ligar. "Você não faz meu tipo", dizia Bruna. Ele não entendia. Quinze dias depois, ela queria voltar. Ele, sem hesitar. aceitou.
Não se passou um dia e novamente Bruna dava fim à história. "Eu não quero mais você. Aliás, por que você não muda esse seu cabelo? Olha sua roupa, olha sua cara. Você não passa de um imbecil, um idiota. Como tive coragem de ficar com alguém do seu nível?". Ingenuamente, ele tentava se moldar à maneira que ela queria. De nada adiantava. Desesperado, Marcos não pensou duas vezes. "Para! Chega! Não estou aguentando. Quer terminar? Termina logo, termina, termina, termina, termina!", dizia Marcos aos prantos, completamente desesperado. "Tá", disse Bruna. Tudo estava terminado.
Ele foi à faculdade com o choro entalado. Entrou na sala de aula, e despejou todas as lágrimas possíveis e impossíveis. Seus amigos tentaram ajudar. De nada adiantava. Ele inventada histórias para que seus amigos o tentassem consolar, porém o consolo era inútil, já que ninguém entendia o verdadeiro motivo de seu desespero. Ele, que estudava fora, passava horas refletindo dentro de um ônibus, esperando a hora de chegar em casa e poder conversar com Bruna.
"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de...", Marcos desligava, completamente descontrolado e sempre aos prantos. Não sabia fazer nada mais do que chorar. Seus amigos consolavam o inconsolável. Ele tentava dar fim a sua vida. Depois de pequenas tentativas, ele não sabia o que fazer.
Queria morrer. Não queria morrer. Apenas queria amar. Ingeriu uma quantidade considerável de remédios para anestesiar-se da intensa dor que sofria. Bruna já não mantinha qualquer tipo de contato. Ele sentia seu mundo desmoronando. Já não havia uma gota de saliva em sua boca, seu coração acelerava, acelerava, acelerava. Ele sabia que ia sobreviver, mas por algumas horas não pensou em nada a não ser querer viver. Apenas queria se sentir vivo. E se sentiu. Apenas algumas horas no hospital acabaram com sua dor física. A depressão o assolava. Parou a faculdade e seguiu sua monótona vida na mais profunda solidão. Tinha seus amigos, porém não encontrava a plenitude.
Terapia. Solução. Ele encontrou. Conversar fez bem para ele. Ele se livrou dessa após meses de luta. Se livrou da tristeza profunda, se livrou da solidão e dos maus pensamentos. Hoje ele segue sua vida normalmente, estuda, sai com os amigos, faz o que lhe dá vontade, algo que Bruna fez sem maiores esforços. A única coisa que ele desaprendeu foi a arte de amar.
Ele não via a hora de vê-la sorrir. Nunca mais teve a oportunidade.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Não leve a mal.
Ainda me pesa a consciência. Quando fazemos algo muito sem pensar e isso gera uma repercussão nada esperada. Quem nunca errou? Quem nunca disse algo não apropriado de cabeça quente?
Eu escrevo. É assim que desabafo. É assim também que me arrependo e me desculpo.
Família.
Eu escrevo. É assim que desabafo. É assim também que me arrependo e me desculpo.
Família.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Como somos vistos?
O ator e agora diretor Sylvester Stallone reacendeu algo interessante a ser debatido: afinal, qual a imagem do Brasil no exterior?
Para nós, brasileiros, poderíamos pensar que nos veem como fanáticos por futebol, carnaval e bundas. Nada tão ofensivo (para mim é, mas que seja). "Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem: Obrigada! Aqui está um macaco para você levar de volta para sua casa", disse o ator. Como reagir em uma situação dessas?
O assunto é o mais comentado no mundo, no Twitter, com o já conhecido "Cala Boca", dessa vez direcionado ao americano. Mas reacendemos a discussão: seria possível tanta ignorância? O que será que é ensinado nas escolas americanas de modo que ainda haja tal pensamento? Não é possível que se trate com rechaço alguma nação que possua uma fauna rica e exuberantes florestas (ainda que nem nós próprios demos o devido valor a elas). Muito me envergonhava só a maneira como éramos vistos: pessoas que só pensavam em futebol e apenas admirávamos belos pares de seios. Obviamente que não preciso entrar em detalhes do que realmente somos: depois de muita luta e passarmos por sérios problemas, finalmente nos tornamos uma economia sólida, economistas defendem que, se continuarmos como estamos, nosso país chegará a ser uma potência mundial, e ainda nos deparamos com pessoas de tamanha ignorância e pensamento extremamente retrógrado. O que pensar?
O ator já tratou de se retratar. Em nota, o ator afirma: "Eu sinceramente gostaria de me desculpar às pessoas no Brasil e à produção do filme. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu falei para todos os meus amigos filmarem lá". Adiantou de algo? O ator teve ótimas experiências no país, indicou seus amigos a filmarem aqui, mas infelizmente segue achando que daremos um macaco de presente a um turista caso o país explodisse, e ainda agradeceríamos! Vergonha, Stallone. Só isso que sentimos.
Para nós, brasileiros, poderíamos pensar que nos veem como fanáticos por futebol, carnaval e bundas. Nada tão ofensivo (para mim é, mas que seja). "Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem: Obrigada! Aqui está um macaco para você levar de volta para sua casa", disse o ator. Como reagir em uma situação dessas?
O assunto é o mais comentado no mundo, no Twitter, com o já conhecido "Cala Boca", dessa vez direcionado ao americano. Mas reacendemos a discussão: seria possível tanta ignorância? O que será que é ensinado nas escolas americanas de modo que ainda haja tal pensamento? Não é possível que se trate com rechaço alguma nação que possua uma fauna rica e exuberantes florestas (ainda que nem nós próprios demos o devido valor a elas). Muito me envergonhava só a maneira como éramos vistos: pessoas que só pensavam em futebol e apenas admirávamos belos pares de seios. Obviamente que não preciso entrar em detalhes do que realmente somos: depois de muita luta e passarmos por sérios problemas, finalmente nos tornamos uma economia sólida, economistas defendem que, se continuarmos como estamos, nosso país chegará a ser uma potência mundial, e ainda nos deparamos com pessoas de tamanha ignorância e pensamento extremamente retrógrado. O que pensar?
O ator já tratou de se retratar. Em nota, o ator afirma: "Eu sinceramente gostaria de me desculpar às pessoas no Brasil e à produção do filme. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu falei para todos os meus amigos filmarem lá". Adiantou de algo? O ator teve ótimas experiências no país, indicou seus amigos a filmarem aqui, mas infelizmente segue achando que daremos um macaco de presente a um turista caso o país explodisse, e ainda agradeceríamos! Vergonha, Stallone. Só isso que sentimos.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Me livre!
Deus! Me livre das pessoas,
me livre da monotonia, da alegria.
Deus! Me livre do profundo silêncio
e da caretice que cansa.
Deus! Me livre da desesperança e
do otimismo.
Deus! Me livre das companhias,
me deixe sozinho.
Deus! Me livre do preconceito
e da ignorância.
Deus! Me tire o calor, o humano,
o sentimento e a afeição.
Deus! Me cansei. Me tira daqui.
Deus?
me livre da monotonia, da alegria.
Deus! Me livre do profundo silêncio
e da caretice que cansa.
Deus! Me livre da desesperança e
do otimismo.
Deus! Me livre das companhias,
me deixe sozinho.
Deus! Me livre do preconceito
e da ignorância.
Deus! Me tire o calor, o humano,
o sentimento e a afeição.
Deus! Me cansei. Me tira daqui.
Deus?
sábado, 3 de julho de 2010
Eram só palavras.
Não acho que tudo tenha sido tão simples como eu sempre planejei, aliás, sempre fui de fazer planos para que nada desse errado. Confesso que nem sempre as coisas saíram como o planejado, embora eu seja de fazer o possível e o impossível para que saia como esperava. Mas e quando não planejamos e tudo ocorre ao revés?
Era amizade, era amor, era tesão. O que era? Uma mera junção? Junção que eu sequer podia expressar; impossibilitado estava. Como manifestar?
Manifestei da maneira mais coerente e que me satisfazia e em mim, se tornava um círculo vicioso, que não poderia deixar de lado. Abraços, carinhos, gestos, amor: palavras. Foi a maneira que encontrei de manifestar meus sentimentos. Dar um abraço, manifestar meu carinho, gesticular meus sentimentos, manifestar meu amor, tudo por palavras. Seja pela mesquinharia falada ou pelo riso contido, tudo me satisfazia e me sentia no céu.
Não me perguntem o que pode ter destruído tudo isso, que a mim me dava tamanha alegria. Hoje, confesso não ter explicação.
Não manifesto mais nada, sequer tenho vontade. Fujo. Fujo para a minha solidão. O que antes manifestava apenas em palavras, hoje, o silêncio e a reclusão me satisfazem. Longe de você.
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